23/05

As carrancas do Rio São Francisco guardam histórias interessantes sobre a cultura da população ribeirinha antiga. Os primeiros registros destas peças datam da segunda metade do século 19 e tinham a função de proteger as embarcações da época – ficavam na proa dos navios e, acreditava-se, dariam três gemidos para avisar da presença de perigos nos rios, como maus espíritos e grandes animais.

Os carranqueiros – fazedores das peças – esmeravam-se na figura com bocas abertas enormes, mostrando grandes dentes, justamente para ressaltar a função protetora das carrancas. Já a cabeleira, demonstra a força vital e guerreira da carranca, como se fosse uma juba caindo pelos lados.

Até hoje essa sensação de medo é transmitida pelos produtores, ainda que as peças tenham se transformado em item artesanal decorativo com o passar do tempo. E as cidades de Juazeiro, na Bahia e Petrolina, em Pernambuco continuam como os principais polos de produção e comercialização, com muitos artistas conhecidos pelo mundo afora, como é o caso de Ana das Carrancas e do Mestre Quincas.

Em Juazeiro, conheça um pouco desta arte na Casa do Artesão, que tem na frente a maior carranca do mundo! No local,  vários artistas mostram estas e outras peças típicas da cultura nordestina, como objetos em couro, tecidos e crochês. Vale a visita!

Casa do Artesão: Av. Raul Alves, 46-134. Tel: (74) 3611-6561